Segunda Vivência do Projeto Horta Urbana: um dia de aprendizado e conexão com a natureza

No dia 29 de março, as mulheres do projeto Horta Urbana partiram para uma experiência única em meio à Mata Atlântica. O destino? O sítio do @timemataatlantica, um refúgio natural próximo ao Parque Estadual Carlos Botelho, em Sete Barras (SP). Mais do que uma visita, a segunda vivência do projeto foi um convite para a conexão com a terra, a troca de saberes e a redescoberta de sabores ancestrais.

A recepção calorosa começou com um café da manhã repleto de sabores caseiros. Pães de fermentação natural, bolos e outras delícias foram servidos para preparar as alunas para uma caminhada que as levaria a um mundo quase secreto – o das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). Guiadas por especialistas e pelo próprio instinto, as participantes foram desvendando os tesouros escondidos entre folhas e galhos.

Entre as espécies encontradas estavam o Lírio do Brejo, Trapoeraba ou Lambari, Chaya, Urtigas, Nhambutitana ou Marupazinho, Begônia nativa, Pariparoba, Cana do Brejo, flores de Medinila, flores do Sorvetão ou planta Shampoo, Hortelã Gordo… A lista parecia infinita, e cada nome carregava o peso de um conhecimento que por muito tempo ficou à margem.

E se as PANCs já pareciam um mundo à parte, o mergulho no universo dos cogumelos selvagens—os FANCs (Fungos Alimentares Não Convencionais)—foi um capítulo à parte. Os olhos atentos vasculhavam troncos caídos, folhas úmidas e sombras misteriosas, como se estivessem caçando pequenos segredos da terra. E, no fim, o prêmio: cogumelos silvestres, colhidos com respeito e curiosidade, prontos para enriquecer o banquete que estava por vir.

O almoço, aliás, não foi apenas uma refeição. Foi um manifesto. Tudo o que foi colhido se transformou em pratos vibrantes, coloridos, vivos. Era a floresta servida no prato, um lembrete de que a natureza não apenas alimenta, mas também ensina.

A experiência prática também incluiu a produção artesanal de pão e a aprendizagem sobre fermentação natural – uma mistura de água e farinha, que pode alimentar gerações se bem cuidado. As mulheres também aprenderam a fazer patês e geleias com as PANCs incluindo pesto, queijo temperado e uma geleia de flores.

Um dos momentos mais significativos do evento foi a roda de conversa sobre o futuro do projeto Horta Urbana. As participantes, reunidas em pequenos grupos por comunidades, discutiram possibilidades para a continuidade da iniciativa. O diálogo trouxe reflexões valiosas sobre como o IDESC pode seguir apoiando as famílias envolvidas e aprimorar as próximas etapas do projeto.

O dia terminou com a sensação de que algo havia mudado. Não apenas para aquelas mulheres, mas para tudo ao redor. A floresta parecia ter sussurrado seus segredos. E quem esteve lá ouviu.

 

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