Projeto

Xondaro Ambiental

No ano de 2025, o IDESC iniciou as atividades do projeto “Xondaro Ambiental: tecendo o fortalecimento cultural Guarani” com os parceiros: ICMBIO, FUNAI, CATI, UNESP Registro e REMAR. O projeto está inserido no projeto GEF Mar, conta com gestão financeira e operacional do FUNBIO (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) e tem como financiador o GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente) através do Banco Mundial.

 

O projeto Xondaro Ambiental prevê diferentes atividades em seu cronograma e foi construído de maneira participativa com as comunidades indígenas Guarani Mbya de Iguape, contemplando 8 aldeias: Guavira-ty, Yaka Mirim, Jejy-ty, Ka’aguy poty, Ivity, Itapuã, Takuaty e Itaju, todas inseridas na Área de Proteção Ambiental Cananéia-Iguape-Peruíbe.

 

Dentre as atividades do projeto, estão: Oficinas de capacitação para monitoramento e vigilância dos TIs;  Mutirões para reforma ou construção de Casa de Reza, para plantio de árvores, para construção de viveiro de mudas e para plantio de roça tradicional Guarani.
Nos primeiros meses, as primeiras reuniões de planejamento participativo foram realizadas, assim como a compra e distribuição das ferramentas agrícolas para as aldeias.

Figura 1. Reunião de Planejamento Participativo na sede do ICMBIO em Iguape, com as lideranças Guarani Mbya das 8 aldeias participantes.

Figura 2. Entrega de ferramentas agrícolas para aldeia Takuaty, do Território Indígena Ka’aguy Hovy.

 

Em agosto de 2025, indígenas Guarani Mbya de 6 aldeias participaram de oficinas de capacitação em monitoramento e vigilância territorial nas Terras Indígenas Guaviraty e Ka’aguy Hovy, sobrepostas à APA Cananéia-Iguape-Peruíbe (APACIP).

 

Foram 46 participantes ao todo, incluindo lideranças, monitores, ICMBio, FUNAI, IDESC e Lumiar, com vivências teóricas e práticas. Abordamos o uso de ferramentas e aplicativos para o registro georreferenciado de trilhas e fotos, além de elaborado um protocolo coletivo de comunicação para situações de risco nos territórios.

 

A metodologia das oficinas valorizou o protagonismo Guarani, com construção participativa de mapas territoriais pelas aldeias, identificação de pontos de ameaça e planejamento das primeiras ações de campo. Foram definidos os monitores e a frequência das atividades, com autonomia e organização própria de cada comunidade. A partir de então, os monitores Guarani vem realizando as atividades de monitoramento e vigilância mensalmente.

Figura 3. Capacitação em monitoramento e vigilância territorial na aldeia Ka’aguy Poty.

Figura 4. Capacitação em monitoramento e vigilância territorial na aldeia Guavira-ty.

Em setembro de 2025, demos início a uma fase muito especial do projeto: a construção das “Opy’i” – as Casas de Reza Guarani. Na tradição Guarani Mbya, a Opy’i é o coração espiritual, social e cultural da aldeia. É nela que a comunidade se reúne para rituais, curas com os pajés, batismos, revelação de nomes sagrados e momentos em que as anciãs e anciãos transmitem saberes às novas gerações.

 

Em reuniões participativas com as lideranças Guarani Mbya, planejamos um calendário para a realização de 28 mutirões em 7 aldeias. Os mutirões guaranis são práticas tradicionais antigas que envolvem toda a comunidade, dos mais velhos aos mais novos e cada etapa da construção da Opy’i é pensada a partir da sabedoria ancestral: a escolha do local, a orientação da porta, o preparo do chão, a escolha das árvores, o corte na lua minguante, o transporte das madeiras, a disposição dos pilares, ripas, caibros e o feitio das paredes, da porta e do telhado. O projeto traz apoio com logística, ferramentas, materiais de construção, instrumentos musicais e alimentação, já que os mutirões movimentam toda a comunidade que se fortalece preservando sua cultura, religiosidade e seus modos de viver e fazer em comunhão.

Figura 5. Mutirão para construção de Casa de Reza na aldeia Guavira-ty.

Figura 6. Finalização das paredes da Casa de Reza em mutirão na aldeia Itapuã.

Figura 7. Musicas tradicionais Guaranis sendo tocadas com instrumentos musicais adquiridos pelo projeto, durante mutirão para construção de Casa de Reza, na aldeia Itaju.

As próximas atividades previstas para serem realizadas no projeto no próximo ano são: mutirões para plantio de árvores, para plantio de roçados tradicionais Guarani e para construção de viveiros de mudas.